Estou neste momento a viver a minha primeira experiência de estar longe do meu filho (pré?) adolescente (até me dói a alma quando escrevo esta palavra). Todos os anos, desde há já quase 10 anos, passamos 3 semanas ou 1 mês separados no Verão - porque ele vai de férias com o pai -, mas nos outros anos era do meu filho-versão-normal que eu estava separada durante essa temporada e este ano é do meu filho-versão-adolescente. Tooooda uma diferença, posso assegurar-vos!
Temi por este período, tenho de ser sincera. Pensei: "Pronto, agora é que vai ser... Vai estar este tempo todo sem me dar notícias de jeito, quando falarmos ao telefone vai ser conversa curta e telegráfica, quando nos despedirmos ao telefone ou nas SMS, nem beijos me vai mandar!" Pois, senhores, estou bem mais calma, porque não tem sido assim! Yupi! Não só parte mesmo da iniciativa dele telefonar-me (o que isto me faz feliz, meu Deus!, pareço uma tolinha), como mantemos uma animada conversa ao telefone, pergunta como estou e, no final, o créme de la créme, manda-me beijinhos! Ah.... beijinhos... o que eu adoro os beijinhos dele! E ainda... chega a por corações no final das SMS!
Parece, portanto, que, à distância, a crise dos AA faz-se sentir com menos intensidade aqui para os meus lados, já que a forma como o eduquei e como sempre nos relacionámos parece (PARECE!) estar a falar mais alto.
E a curiosidade que eu tenho em saber como é na casa do pai? Ui, dava um dedo mindinho do pé para assistir aos AA do meu filho com o pai! Será que ele está a sentir as diferenças no filho? É que ele vive fora do país e não convive diariamente com o filho, pelo que fico sempre sem saber muito bem como serão estes AA entre um filho (pré)adolescente que está apenas com o pai 4 vezes por ano... Tenho noção que serei sempre eu a mais atacada - já se sabe que descarregamos sempre em quem está mais próximo, em quem temos mais confiança, em quem, atrevo-me mesmo a dizer, é o nosso porto seguro. Quando estou na minha perfeita sanidade mental, entenda-se com os AA à distância de uma memória, penso que deve ser mesmo assim. Eu sou o porto seguro do meu filho e é por isso que sou eu a mais "apanhada" pelos AA. Não é que ele goste menos de mim do que de qualquer outro adulto. É precisamente o inverso.
O meu filho fez 13 anos! E com estes 13 anos do meu filho surgiu todo um mundo novo para mim. De repente - eu juro que foi automático não foi aos poucos! Foi do estilo "um-dia-acordou-diferente-do-menino-de-ontem" -, desapareceu o meu menino super animado e falador (às vezes até demais, achava eu) e passou a um ser que eu não reconheço. E confesso que nunca me senti tão perdida como agora.
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Como é que isto aconteceu?
Em pleno ano da graça de 2014, passei a ter um filho adolescente! E parece que é com isto que vou ter que viver nos próximos anos. Irei sobreviver?
Para já, tenho a dizer que tenho plena noção que "isto" apenas agora começou. Apesar de ter feito 13 anos em Março, foi por volta do mês de Junho que os primeiros sinais de "Adolescentite Aguda" (AA) se começaram a evidenciar. E porque é que eu digo que se começaram a evidenciar:
1- deixou de me dizer a toda a hora - ou escrever em SMS, caso estivesse longe - "amo-te", com corações e smiles.... :(
2- deixou de me telefonar para o escritório ao final do dia a perguntar "mãe, ainda te demoras muito? Já estou farto de estar sozinho!"
3- passou a ficar muito tempo calado no quarto, sem me perguntar nada ou me dirigir a palavra sem que seja eu a tomar a iniciativa
4- passou a estar mais tempo a ouvir música no iPod (odeio aqueles fones!) e a ver séries (no telemóvel, no tablet, na TV, everywhere!)
5- passou a deixar de ouvir à primeira (e à segunda e à terceira) aquilo que eu digo (já disse que odeio aqueles fones?)
6- passou a trocar SMS e/ou chats no messenger com miúdas (antes trocava algumas, mas sempre com os amigos), a quem envia....corações!
7- passou a dar respostas mais ríspidas e a suportar mal os meus "reparos"
8- (to be continued....)
E eu temo ficar com uma depressão, a sério! Só tenho este filho, estava habituada a mimos de filho pequeno, e agora levo com estes (não) mimos de filho grande. Estou tão mal preparada para isto que até me vêm as lágrimas aos olhos em muitas das situações em que os AA surgem em todo o seu esplendor. Depois fico furiosa comigo própria de ficar assim!
Por isso resolvi criar este espaço, para partilhar as minhas angústias e tentar exorcizar os meus pensamentos e, quem sabe, as minhas reacções. Porque às vezes escrever ajuda a perceber melhor as coisas, obriga-nos a pensar. E, quem sabe, se alguém algum dia se cruzar pela blogosfera com este espaço, e tenha dúvidas e medos (e parvoíces) parecidos/as com os/as meus/minhas, também queira deixar a sua história, o seu comentário, a sua sugestão, ou, na loucura, e caso existam, umas dicas para ajudar as mães (e os pais) a lidar com os AA destas criaturas que, afinal, são SÓ as coisas mais importantes da nossa vida.
Subscrever:
Comentários (Atom)